GAGUEIRA INFANTIL
A criança inicia seu processo de socialização por meio da linguagem, antes mesmo de aprender a falar. A criança demostra crenças e regras conforme a sua cultura. De acordo com Villa (1995, apud BORGES; SALOMÃO, 2003, s/p), a intenção comunicativa ocorre de maneira precoce, sendo observada por meio de gestos, expressões faciais, olhares, tornando-se a forma de comunicação do bebê, esta forma de comunicação é conhecida como “protoconversação ou protolinguagem”. É necessário que a linguagem tenha um significado, relacionando os aspectos fonológicos, semânticos e sintáticos da fala.
Para Barbosa e Chiari (1998, apud MARTINS, 2002), a gagueira é considerada um distúrbio de fluência, com características de interrupções na fala, onde acontece a perda de controle do próprio indivíduo. Isso ocorre de maneira involuntária ao fluxo normal da fala.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1997 descreveu que: “a gagueira é definida como um distúrbio no ritmo da fala, e que o indivíduo sabe precisamente o que vai dizer, porém é incapaz de dizê-lo devido a um prolongamento involuntário repetitivo ou cessação de um som” (MARTINS, 2002, p.7).
Fatores ambientais, biológicos, sociais e psicológicos” , podem interferir no desenvolvimento da fala. (OLIVEIRA et al, 2009, s/p)
Uma vez que o aspecto emocional se encontra alterado irá afetar de maneira negativa no rendimento escolar e interpessoal da criança, sendo necessário que os pais fiquem atentos aos primeiros sinais da disfluência infantil e agir de maneira preventiva, sabendo diferenciar a normalidade de alterações relacionadas a fala.
A intervenção fonoaudiológica varia de acordo com a idade do indivíduo gago e o grau de risco apresentado. Nos casos infantis é necessário realizar um diagnóstico cauteloso visando identificar o risco apresentado por esta criança para desenvolver uma gagueira crônica. Quando o risco for baixo, indica-se a realização do trabalho familiar, na qual o fonoaudiólogo deve orientar os familiares para promover um ambiente que favoreça a fluência da criança.
Segundo orientações da Associação Brasileira de Gagueira (ABRA GAGUEIRA), quando o diagnóstico fonoaudiológico confirmar o quadro de gagueira, indica-se a realização de terapia fonoaudiológica com a criança e orientações familiares. O trabalho com a criança visa promover uma fala fluente, e para isso podem ser trabalhadas estratégias lúdicas e jogos, levando-se em conta a idade cronológica. A abordagem de modelagem pode ser utilizada visando estabelecer uma fala mais suave e com um número reduzido de inícios (“phrasing”).
Com a técnica do Phrasing o paciente aprende a usar a respiração, utilizando pausas em unidades linguísticas significativas, o que possibilita transições suaves entre as palavras, diminuindo as disfluências.

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